terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Foi assim... Assim está.




Lançou-se ao oceano
Deu seu corpo ao mar
Cantou com sereias
Andou sobre corais
Para que, talvez,
Pudésseis notar.

Dançou com Ninfas
Contra Gigantes lutou
O pior de tudo
Nem sequer te tocou.

E esquecida se deitou.
A sonhar com seu Orfeu
Que na terra onde estará
Com sua harpa a tocar?
Eurídice, no tártaro
Convencida já
Cansada de esperar

Não há mais dragões
A quem combater
Ou ainda com o que sonhar?
Não há Sancho a quem recorrer
Ou Virgílio a guiar
Não há com o que brigar
Contra quem ou o que pelear
Beatriz ou Dulcineia em perigo
Isso também não há

Principio ou precipício
Para encaminhar seu estar...
Particípio a ser lembrado
Não há.

Só há o dolorido
Hera chorosa
Peito partido
Sem destino
Com amarras
Correndo por sua senda
Desvairada
Lutando com cataventos
Coitada

Certo é
Tudo isso
Não há,
De, na vida,
Ser nada. 


dnr 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sonho de uma Noite Qualquer




Contemplei quando partia
“Já não há pra que ficar”
Seus olhos carmim cor de loucura
Seus cabelos vivos de ilusões
Dissipavam um odor me mentira e sedução
Como pode ser tão bela
Ainda assim tão perigosa?
Tentei fugir

Seus olhos se voltaram contra mim
Param, fitaram, me desconcertaram
Sua voz melodia constante a tintilar
Reverberou em mim
No meu ser no meu estar
Tentei fugir

Nada mais houve que fazer
Nada mais pude tentar
Sentir meu corpo ser pedra
E meu coração bater

Sentir meu corpo ser pedra
para ali ficar
eternizar os sonhos que sonhei.
fazer durar o que pensei
Mas ao querer ser pedra
Subitamente acordei.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Que saudade...


Que saudades sinto de Juliana
De nossas conversas
De suas perguntas
De meus gritos.

Que saudades sinto de chorar
Sem ser jugado
Sem fazerem suco de mim

Que saudades de não ser deliciado
Em bocas alheias
Que saudades dos seus olhos vazios de expressão.

Que saudades daquilo que já não é.
Que saudades daquilo que já era.