No que você está pensando?
Me pergunta o Livro das Faces
O Livro das Faces gosta de verborragias.
Incessantes, insensíveis, sem sentido, sem direção, metralhadas.
Contudo, vejo que não basta a verborragia, é preciso um algo a mais, um "Quê" de mistério; cabalismos incompreensíveis, sinais de tédio disfarçados de opiniões incomuns, de vidas fenomenais, de pessoas mais que felizes; pretéritos mais que imperfeitos preterido de uma vida perfeita através de conjurações corretas, palavras entediantes entediadas matadoras do tédio que mata.
No Livro das Faces a Verborragia Cabalística, com suas palavras mudas envoltas no véu da razão perfeita; calada, ensurdecedoramente apoiada por legiões de anjos mudos-caídos, destituídos de sua alegria, refeitos alegorias demoníacas de si; repetida mentalmente por meio de visões caleidoscópicas, versões de vozes que não calam, e não falam; muda pela incapacidade de compreender, muda pela incapacidade de comunicar algo em meio a infinidade de arcanismos desnecessários; desfia seu rosário de sofismas cuidadosamente construídos sobre os sobrenomes de gigantes.
É nisso que estou pensando Livro das Faces.