terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Sobre Moinhos de Ventos

O mundo é pequeno
A vida é longa
Ainda assim é preciso
partir ligeiro sem demora

O tempo passa
Sem delonga
A estrada é curta
Imensa volontas

Infinitos ventos
Girarão os Moinhos
Do joio que somos
Dos trigos que vimos

Aqui restarao
sequer as pegadas
Das vidas passadas
Por tantos caminhos


Saint-Etienne - FR -  01/2016

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Foi assim... Assim está.




Lançou-se ao oceano
Deu seu corpo ao mar
Cantou com sereias
Andou sobre corais
Para que, talvez,
Pudésseis notar.

Dançou com Ninfas
Contra Gigantes lutou
O pior de tudo
Nem sequer te tocou.

E esquecida se deitou.
A sonhar com seu Orfeu
Que na terra onde estará
Com sua harpa a tocar?
Eurídice, no tártaro
Convencida já
Cansada de esperar

Não há mais dragões
A quem combater
Ou ainda com o que sonhar?
Não há Sancho a quem recorrer
Ou Virgílio a guiar
Não há com o que brigar
Contra quem ou o que pelear
Beatriz ou Dulcineia em perigo
Isso também não há

Principio ou precipício
Para encaminhar seu estar...
Particípio a ser lembrado
Não há.

Só há o dolorido
Hera chorosa
Peito partido
Sem destino
Com amarras
Correndo por sua senda
Desvairada
Lutando com cataventos
Coitada

Certo é
Tudo isso
Não há,
De, na vida,
Ser nada. 


dnr 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sonho de uma Noite Qualquer




Contemplei quando partia
“Já não há pra que ficar”
Seus olhos carmim cor de loucura
Seus cabelos vivos de ilusões
Dissipavam um odor me mentira e sedução
Como pode ser tão bela
Ainda assim tão perigosa?
Tentei fugir

Seus olhos se voltaram contra mim
Param, fitaram, me desconcertaram
Sua voz melodia constante a tintilar
Reverberou em mim
No meu ser no meu estar
Tentei fugir

Nada mais houve que fazer
Nada mais pude tentar
Sentir meu corpo ser pedra
E meu coração bater

Sentir meu corpo ser pedra
para ali ficar
eternizar os sonhos que sonhei.
fazer durar o que pensei
Mas ao querer ser pedra
Subitamente acordei.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Que saudade...


Que saudades sinto de Juliana
De nossas conversas
De suas perguntas
De meus gritos.

Que saudades sinto de chorar
Sem ser jugado
Sem fazerem suco de mim

Que saudades de não ser deliciado
Em bocas alheias
Que saudades dos seus olhos vazios de expressão.

Que saudades daquilo que já não é.
Que saudades daquilo que já era.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Da verborragia do Livro das Faces

No que você está pensando?
Me pergunta o Livro das Faces




O Livro das Faces gosta de verborragias. 
Incessantes, insensíveis, sem sentido, sem direção, metralhadas.
Contudo, vejo que não basta a verborragia, é preciso um algo a mais, um "Quê" de mistério; cabalismos incompreensíveis, sinais de tédio disfarçados de opiniões incomuns, de vidas fenomenais, de pessoas mais que felizes; pretéritos mais que imperfeitos preterido de uma vida perfeita através de conjurações corretas, palavras entediantes entediadas matadoras do tédio que mata.
No Livro das Faces a Verborragia Cabalística, com suas palavras mudas envoltas no véu da razão perfeita; calada, ensurdecedoramente apoiada por legiões de anjos mudos-caídos, destituídos de sua alegria, refeitos alegorias demoníacas de si; repetida mentalmente por meio de visões caleidoscópicas, versões de vozes que não calam, e não falam; muda pela incapacidade de compreender, muda pela incapacidade de comunicar algo em meio a infinidade de arcanismos desnecessários; desfia seu rosário de sofismas cuidadosamente construídos sobre os sobrenomes de gigantes.
É nisso que estou pensando Livro das Faces.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Mais sobre o Livro das Faces

Por que preciso deste livro das faces?
Por que tentam me convencer que ele e importante?
Porque todos crêem na sua validade.
Porque o que ele diz e a verdade. 
Porque nele todos contam suas historias felizes e vão para lugares belos.
Porque nele, no livro das faces, a vida e mais fácil, o sol mais amarelo.
Não gostou? Finge que não viu.
Gostou? Curtiu.
No livro das faces, há muuuuuuuitas liberdades
Novos conceitos de verdade.
Uma vida com mais agradabilidade.
Realmente,
Talvez,
O livro das faces seja importante.
Num mundo sem cores reais,
Onde o Photoshop vale mais.
O livro das faces, certamente,
Tem suas importâncias essenciais.

Eu
070720142142

quinta-feira, 19 de junho de 2014

o SE

 SE é doloroso
 carregado de esperança
 cheio de mentiras
 lascivo, dançante
 belo viandante
 passando pela vida
 deixando-a desiludida

 SE é mal
 tira o futuro,
 seca o solo pro sonho
 torna o mundo enfadonho
 acorrenta a possibilidade
 destrói a oportunidade
 resseca a realidade

 SE é pesado...
 tanto que SE conseguíssemos carregá-lo
 SE...