sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cosmogonia Pessoal




Quebre os narcisos mais antigos
Destrua as últimas gotas de chuva
Domestique o Leão de Neméia
E cavalgue nas asas do Pégaso

Desça até o Hades
Devore os caroços da romã sagrada
E como a virgem, dê a luz ao grande Dionísio
Pois assim como ele é Iacos
Tu também serás
E ao fazê-lo não trilhará as mesmas rotas
Nem provará os mesmos sabores

Mostre a Hera que os Titãs já não tem mais força
Seja mestre na arte do Trimegisto
E derrote, de uma vez por todas, Chronos

Embriague as fiandeiras com a musica de Febo
Assim transformarás escuridão em luz
E poderás decorar com belos motivos sua Tapeçaria.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Em tempos de mudanças.

Como, em tempos de tantas mudanças, estabelecer firmes bases para dizer quem sou?
Sou poeira que dança ao sabor do vento.
Sou água que desliza pelo leito do rio da vida.
Sou fogo, disforme, que em seu bailado consome o tudo o que que lhe é ofertado.

Caço, não para sobreviver mas, por prazer. Caço porque não há nada mais excitante do que ir, em meio a nossa selva de pedra, em busca de um objetivo. Não sei bem o que caço, no entanto tenho certeza de que quando achar saberei o que é.

Já não colho mais flores pelo caminho e nem vivo a vida a sorrir. Este é um momento de semear novas flores e buscar novos sorrisos - não seriam assim todos os momentos de nossas vidas? - é tempo de ir em busca.

Sou um buscador. Busco o local de onde vim, a terra a qual pertenço. Apesar de morar sempre no mesmo lugar, busco uma casa que não conheço.
Sinto falta de um cheiro que nunca senti e solfejo canções que não foram cantadas.

Sou insaciável. Sim eu sou. Quero mais. Mais do que ontem e, amanhã quererei, mais do que hoje. Não culpo o mundo, ou os outros, por meu descontentamento; culpo a mim mesmo. Culpo a vida que me moldou desta forma, culpo o tempo que, para mim, passa mais rápido do que para todos, culpo a água da realização que nunca sacia minha sede.

Sou sedento. Tenho sede de novidades, sede de alcançar o que não conheço, sede de elixires que nunca provei.

Sou enraizado e a pesar de minha sede, meu medo e minhas raizes me impedem de seguir em frente, de romper as barreiras e ir em busca do que tanto, apesar de não saber o que, quero.

Sou, assim como todos, um paradoxo neste louco espaço-tempo no qual estou inserido. Sou assim, um filho dos elementos e dos elementais. Um bruxo cristão que odeia tudo o que me prende e que, ainda assim, me prendo, verdadeiramente, ao que realmente gosto.

Não tente me conhecer. Nem eu me conheço. Não tente me compreender; tento fazer isso há mais tempo do que poso me lembrar.
Como diria Laura Pausini:

"Víveme sin miedo ahora
Que sea una vida o sea una hora
Víveme sin más vergüenza
Aunque esté todo el mundo en contra
Deja la apariencia y toma el sentido
Y siente lo que llevo dentro."


Afinal o que realmente importa é o que se leva dentro.

"La fantasía
Me esperan días de una ilimitada dicha"


Diego Nonato Reis Ж