domingo, 28 de dezembro de 2008

Tantas vezes me perguntei de onde eu teria vindo ou quem eu realmente seria. Cheguei a conclusão que estas são perguntas com respostas mutantes.

Quando estou alegre posso dizer que venho do Leste e que nasço junto com o sol; posso dizer que “Cheguei a tempo de te ver acordar, que eu vim correndo a frente do sol...”.

Alegre direi que sou o filho da aurora, irmão do vento sul, o benfazejo Afer Ventus. Não mentirei, pois neste momento é o que eu sou: um ser etéreo e diáfano. Posso dizer que quando estou alegre é como se comungasse com o mundo e sentisse uma misteriosa musica que me envolve.

Quanto triste, virei, com toda a certeza, do lugar mais sombrio do universo.

Terei nascido com a mais escura nuvem de chuva, e, como em um plúmbeo céu de novembro, tentarei chorar, quase certo é que não conseguirei.

Não sou um céu de finas chuvas ou de garoas. Assim sendo, minhas nuvens ficarão tão carregadas, mas tão carregadas que, quando eu chorar o efeito não será menor do que o de uma gigantesca tempestade tropical.

Graças aos Deuses este é um momento que passa, tão rápido quanto a própria tempestade tropical, uma forte, impiedosa e, ainda assim, deliciosa chuva de verão.

Sou um ser de estações, como todos os outros. A diferença é que minhas estações são bem definidas e já não tento mais disfarçar-me com claras manhãs em dias que a chuva reina.

Hoje, depois de ter sido Louco, Poeta, Tirano e Bruxo, posso dizer, sou Filho do Sol, sou algo que jamais conseguirei expressar, algo novo, brilhante e fantástico, pois um sentimento de plenitude e totalidade toma conta de cada parte do meu ser.

Cheguei antes mesmo do mais tênue raio de aurora, cheguei para ficar; eu, este ser pleno e maravilhosamente estranho.


“Pelas ruas flores e amigos encontro vestindo meu melhor sorriso...”

Nenhum comentário: